Lembro-me de um cliente que conheci poucos anos depois do furacão Katrina que devastou Nova Orleans.
Contou-me ele que naquele dia, como muitos, ficou sem a sua casa. Pouco tempo depois foi assaltado durante a noite na casa para a qual se tinha mudado, devido à onde de crimes que se instalou na zona. Durante o assalto o cão dele, o seu melhor amigo, meteu-se à frente para o proteger e foi morto, e ele foi parar ao hospital agredido e em muito mal estado. Lá, no hospital, disseram-lhe que tinha sida.
Enquanto ele contava a história dele não consegui dizer uma palavra. Quando terminou ficou um silêncio pesado na sala ao qual só consegui responder, sinto muito!
Não, eu não consigo imaginar o que é passar por tal coisa. Achamos sempre que fazemos uma ideia, mas só quando passamos pelas situações é que sabemos.
E estar a atirar frases feitas para tentar animar é, na minha opinião, o ato mais egoísta que há.
Fiquei ali com ele. Deixei-o contar o que quis e processar a dor ao seu tempo.
Também cheguei a conhecer uma pessoa que estava nas Torres gémeas durante o atentado. E muitas muitas outras que perderam entes queridos lá ou noutros eventos.
A vida é mesmo assim. Como já escrevi uma altura: "Há duas causas que levam a um começar de novo:
Uma, é quando assim escolhemos e decidimos.
A outra, é quando a vida se encarrega disso e não nos dá outra alternativa.
Quando circunstâncias da vida nos levam a um recomeçar com frequência surgem emoções de vergonha, culpa e um sentido de estar a falhar. Algo antes, obviamente, não deu certo ou até deu muito errado. Por vezes até deixou de existir."
Por mais até que a pessoa culpe outros ou as circunstâncias pelo que veio roubar-lhe o que tinha, internamente irá sempre tentar encontrar a culpa em si, ou razão para "merecer" tal coisa.
E a aparente raiva e ataque ao exterior, se não for eventualmente libertado, até acaba por ser muito pior, porque não se permite reconhecer a real razão da sua dor emocional e que é estar, gradualmente, a diminuir a si mesma.
Eu muitas vezes toco neste tópico do recomeçar, inclusive o faço no meu novo livro, pela importância de aceitarmos esse recomeço na vida como algo que podemos e conseguimos fazer, independentemente da idade que temos, condições que temos, e de que seja fruto de uma preferência nossa ou não.
Muitas pessoas querem recomeçar na vida ou seguir por um caminho totalmente diferente, mas acham que já não é para elas, ou talvez até achem que nunca foi nem nunca poderia ser para elas. Julgam a si mesmas e temem o julgamento dos outros, especialmente quando não há certeza de serem bem sucedidas.
E muitas outras vezes na vida, existem situações que vêm por um ponto final em algo e obrigar ao tal recomeçar. E nestas situações muitas pessoas agarram-se ao que não queriam perder e muitas vezes sentem que nada mais há para a frente.
Falo muitas vezes sobre este assunto, que é tão amplo quanto todos os aspetos da vida, porque não vejo mais nada que tenha tanto peso no bloquear e envelhecer do ser humano.
Inclusive eu digo, não envelheceriamos tanto se nos permitíssemos recomeçar.
Para terminar, para quem queira ver, deixo aqui um vídeo que publiquei no verão passado.
Como sempre, é mais focado no desenvolvimento pessoal e nos permitirmos seguir o nosso caminho, largando pré-conceitos do que podemos, devemos e a nós é permitido seja qual for a idade. Mas acreditem que aplica-se a tudo, mesmo ao que parece vir por mãos do azar, porque seja o que for que perdemos não é para ser recuperado, mas sim para que algo novo nasça no seu lugar.
Contou-me ele que naquele dia, como muitos, ficou sem a sua casa. Pouco tempo depois foi assaltado durante a noite na casa para a qual se tinha mudado, devido à onde de crimes que se instalou na zona. Durante o assalto o cão dele, o seu melhor amigo, meteu-se à frente para o proteger e foi morto, e ele foi parar ao hospital agredido e em muito mal estado. Lá, no hospital, disseram-lhe que tinha sida.
Enquanto ele contava a história dele não consegui dizer uma palavra. Quando terminou ficou um silêncio pesado na sala ao qual só consegui responder, sinto muito!
Não, eu não consigo imaginar o que é passar por tal coisa. Achamos sempre que fazemos uma ideia, mas só quando passamos pelas situações é que sabemos.
E estar a atirar frases feitas para tentar animar é, na minha opinião, o ato mais egoísta que há.
Fiquei ali com ele. Deixei-o contar o que quis e processar a dor ao seu tempo.
Também cheguei a conhecer uma pessoa que estava nas Torres gémeas durante o atentado. E muitas muitas outras que perderam entes queridos lá ou noutros eventos.
A vida é mesmo assim. Como já escrevi uma altura: "Há duas causas que levam a um começar de novo:
Uma, é quando assim escolhemos e decidimos.
A outra, é quando a vida se encarrega disso e não nos dá outra alternativa.
Quando circunstâncias da vida nos levam a um recomeçar com frequência surgem emoções de vergonha, culpa e um sentido de estar a falhar. Algo antes, obviamente, não deu certo ou até deu muito errado. Por vezes até deixou de existir."
Por mais até que a pessoa culpe outros ou as circunstâncias pelo que veio roubar-lhe o que tinha, internamente irá sempre tentar encontrar a culpa em si, ou razão para "merecer" tal coisa.
E a aparente raiva e ataque ao exterior, se não for eventualmente libertado, até acaba por ser muito pior, porque não se permite reconhecer a real razão da sua dor emocional e que é estar, gradualmente, a diminuir a si mesma.
Eu muitas vezes toco neste tópico do recomeçar, inclusive o faço no meu novo livro, pela importância de aceitarmos esse recomeço na vida como algo que podemos e conseguimos fazer, independentemente da idade que temos, condições que temos, e de que seja fruto de uma preferência nossa ou não.
Muitas pessoas querem recomeçar na vida ou seguir por um caminho totalmente diferente, mas acham que já não é para elas, ou talvez até achem que nunca foi nem nunca poderia ser para elas. Julgam a si mesmas e temem o julgamento dos outros, especialmente quando não há certeza de serem bem sucedidas.
E muitas outras vezes na vida, existem situações que vêm por um ponto final em algo e obrigar ao tal recomeçar. E nestas situações muitas pessoas agarram-se ao que não queriam perder e muitas vezes sentem que nada mais há para a frente.
Falo muitas vezes sobre este assunto, que é tão amplo quanto todos os aspetos da vida, porque não vejo mais nada que tenha tanto peso no bloquear e envelhecer do ser humano.
Inclusive eu digo, não envelheceriamos tanto se nos permitíssemos recomeçar.
Para terminar, para quem queira ver, deixo aqui um vídeo que publiquei no verão passado.
Como sempre, é mais focado no desenvolvimento pessoal e nos permitirmos seguir o nosso caminho, largando pré-conceitos do que podemos, devemos e a nós é permitido seja qual for a idade. Mas acreditem que aplica-se a tudo, mesmo ao que parece vir por mãos do azar, porque seja o que for que perdemos não é para ser recuperado, mas sim para que algo novo nasça no seu lugar.
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